Coordenador do centro de pesquisas do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmound e Lily Safra, Miguel Nicolelis planeja tornar a pesquisa científica um agente de transformação social
por Laura Knapp
Em fevereiro, a primeira etapa de um projeto ambicioso concebido por neurocientistas brasileiros se consolidou com a inauguração oficial do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS). Quando lançaram o sonho de montar uma rede de institutos de neurociências, em 2003, os idealizadores do projeto, Miguel Nicolelis, Sidarta Ribeiro e Claudio Mello, queriam não só implantar no Brasil um instituto de neurociências capaz de competir com grandes centros internacionais, mas contribuir para reverter as desigualdades sociais brasileiras. Mais que laboratórios de pesquisa, esses sonhadores, como gostam de ser descritos, querem formar centros com ativa participação da comunidade local para provar sua crença de que ciência pode ser feita por todos e é capaz de se transformar em grande catalisador social.
Na conversa por telefone com Scientific American Brasil durante uma de suas passagens pelo país, Nicolelis falou sobre educação científica, desenvolvimento e pesquisas realizadas em Natal.
Ímã para o Desenvolvimento
“O Brasil está caindo num fosso educacional. Se não prestar atenção, não haverá mais volta. Sem investir no potencial humano, é melhor esquecer a idéia de fazer o Brasil crescer.” A cada volta ao país, Nicolelis fica horrorizado ao encontrar adolescentes que não sabem ler. “Dizem que o Brasil forma 10 mil doutores por ano. A China forma 750 mil engenheiros, de alta qualificação, o que explica o crescimento de 14% ao ano. Isso é o que me assusta no Brasil. A sensação que tenho é que falta visão de como se constrói um país.”
Um dos motivos para ter escolhido o Rio Grande do Norte para montar o primeiro dos 12 institutos planejados é que o estado está muito atrás em índices de educação. Nicolelis acha que assim será mais fácil medir a diferença que o IINN fará. “Pelo menos sabemos de onde vamos partir.” Os vários projetos e centros – inspirados no instituto alemão Max Planck – devem, segundo ele, servir como magneto de transformação social e econômica. A idéia é formar um grande pólo de biotecnologia e biomédico em Natal, voltado para a neurologia, atraindo empresas, start-ups, fabricantes de próteses, fármacos e equipamentos. E afirma, confiante: “Se depender de nosso programa, nossa Califórnia será aqui. Este será o Silicon Valley brasileiro do cérebro.”
Na conversa por telefone com Scientific American Brasil durante uma de suas passagens pelo país, Nicolelis falou sobre educação científica, desenvolvimento e pesquisas realizadas em Natal.
Ímã para o Desenvolvimento
“O Brasil está caindo num fosso educacional. Se não prestar atenção, não haverá mais volta. Sem investir no potencial humano, é melhor esquecer a idéia de fazer o Brasil crescer.” A cada volta ao país, Nicolelis fica horrorizado ao encontrar adolescentes que não sabem ler. “Dizem que o Brasil forma 10 mil doutores por ano. A China forma 750 mil engenheiros, de alta qualificação, o que explica o crescimento de 14% ao ano. Isso é o que me assusta no Brasil. A sensação que tenho é que falta visão de como se constrói um país.”
Um dos motivos para ter escolhido o Rio Grande do Norte para montar o primeiro dos 12 institutos planejados é que o estado está muito atrás em índices de educação. Nicolelis acha que assim será mais fácil medir a diferença que o IINN fará. “Pelo menos sabemos de onde vamos partir.” Os vários projetos e centros – inspirados no instituto alemão Max Planck – devem, segundo ele, servir como magneto de transformação social e econômica. A idéia é formar um grande pólo de biotecnologia e biomédico em Natal, voltado para a neurologia, atraindo empresas, start-ups, fabricantes de próteses, fármacos e equipamentos. E afirma, confiante: “Se depender de nosso programa, nossa Califórnia será aqui. Este será o Silicon Valley brasileiro do cérebro.”
fonte: Scientific American Brasi
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